A política de Antonina está chegando ao limite da intolerância.
O que aconteceu na sessão da Câmara de Vereadores de Antonina, nesta terça-feira (11), é, no mínimo, preocupante.
A vereadora Sandra fazia uso da palavra para tratar de um assunto que interessa diretamente à população: as sobras das obras da Avenida Conde Matarazzo, os prejuízos causados aos comerciantes e os transtornos enfrentados diariamente pelos moradores. Ao questionar a Prefeitura sobre a situação, a parlamentar foi interrompida pelo presidente da sessão, vereador Valmir Godoi, que determinou o corte de sua fala.
O mais grave é que, segundo o que foi observado durante a sessão, a vereadora ainda estava dentro do tempo regimental. Dos cinco minutos previstos para sua manifestação, ela teria utilizado aproximadamente 3 minutos e 15 segundos quando teve sua palavra cassada. Mesmo diante do questionamento sobre o tempo restante, a presidência manteve a decisão sem, aparentemente, verificar a contagem.
Não se trata apenas de uma questão entre vereadores. Quando um parlamentar é impedido de concluir uma manifestação, principalmente quando está questionando problemas que atingem comerciantes e moradores, quem perde é a própria população.
Minha solidariedade à vereadora Sandra e meu repúdio à forma como a situação foi conduzida. Divergências políticas fazem parte da democracia. Interromper uma fala, impedir questionamentos ou utilizar a presidência para limitar o debate, porém, é algo que precisa ser tratado com muita seriedade.
E o episódio deixa uma reflexão ainda maior: a política antoninense está entrando em um preocupante processo de decadência.
Antonina precisa de respeito ao contraditório
Antonina precisa de vereadores que fiscalizem, questionem, debatam e defendam os interesses da população, independentemente de quem esteja no comando da Prefeitura. Precisa de respeito ao contraditório e, acima de tudo, respeito ao cidadão que elege seus representantes.
Se continuarmos escolhendo representantes mais preocupados com disputas políticas do que com os problemas reais da cidade, Antonina corre o risco de sucumbir politicamente, administrativamente e socialmente.
"A democracia não pode funcionar apenas quando todos concordam. É justamente quando existe discordância que o respeito à palavra, ao debate e às regras precisa ser ainda maior."
