Existe uma cena particularmente reveladora quando a realidade decide colocar o ego diante do espelho.
Durante anos, Roberto Justus construiu — ou foi cuidadosamente construído — aquele personagem do homem que não pede, determina. O empresário de voz firme, terno impecável, olhar de superioridade e discurso de quem parece acreditar que o mundo funciona em torno de planilhas, contratos e da própria autoridade.
Mas eis que a vida real, aquela que não respeita roteiro de televisão, aparece.
Nas mensagens divulgadas na imagem, surge um Roberto Justus completamente diferente do personagem: insistente, aflito, pedindo um minuto de atenção a Daniel Vorcaro, tentando conversar sobre sua empresa, mencionando a possibilidade de recuperação judicial e buscando uma solução financeira.
De repente, o homem que tantas vezes pareceu ensinar aos outros como vencer está do outro lado da mesa: precisando de alguém que possa ajudá-lo a não perder.
É aí que a fotografia fica interessante.
Porque dinheiro tem essa peculiaridade: ele consegue transformar o discurso de arrogância em pedido de socorro em questão de minutos.
“O ‘eu mando’ vira ‘você pode me atender?’ O ‘eu resolvo’ vira ‘preciso conversar com você’. O ‘quem precisa de mim que me procure’ vira uma sequência de mensagens procurando alguém que não responde.”
E talvez essa seja uma das cenas mais educativas sobre a tal “elite” que adora vender a imagem de autossuficiência.
Enquanto tudo vai bem, competência parece ser exclusivamente individual. O sucesso vira mérito pessoal. A fortuna vira prova de superioridade. Quem está embaixo é chamado de incompetente, acomodado ou responsável pela própria pobreza.
Mas basta a maré baixar para descobrirmos algo que os discursos de meritocracia convenientemente escondem:
Ninguém é tão poderoso quanto parece quando depende de alguém mais poderoso
Naquela conversa, se verdadeira, não existe palco, plateia, microfone ou programa de televisão.
Existe apenas um empresário tentando conseguir atenção de outro empresário.
E é justamente aí que o personagem encontra o ser humano.
A arrogância pode ser um ótimo figurino quando se está por cima. Mas quando chega a hora de pedir ajuda, ela precisa ser deixada do lado de fora da porta.
No fim das contas, a vida tem um senso de humor extraordinário.
Às vezes, ela pega justamente aquele sujeito que passou anos vendendo a imagem de quem ensina os outros a chegar ao topo e coloca diante dele uma situação em que subir alguns degraus depende de alguém lhe estender a mão.
E não há gravata, fama, pose ou discurso motivacional que mude isso.
Porque quando o dinheiro aperta, até o rei da arrogância descobre que também precisa bater na porta de alguém.
