Há algo curioso na política brasileira: quando um vazamento atinge um lado, fala-se em perseguição, manipulação e tentativa de interferência eleitoral. Quando atinge o outro, rapidamente aparecem os discursos de “transparência” e “interesse público”.
A imagem que circula nas redes faz justamente essa provocação. Se a preocupação é impedir que vazamentos seletivos influenciem a eleição, então a regra deveria valer para todos. Não deveria existir sigilo conveniente para uns e transparência obrigatória para outros.
As investigações envolvendo o INSS e o caso Dark Horse não deveriam ser tratadas como munição eleitoral. Se há suspeitas, que sejam investigadas com rigor. Se há envolvidos, que respondam perante a Justiça. Mas o princípio precisa ser o mesmo, independentemente de sobrenome, partido ou posição política.
“Porque democracia não combina com justiça escolhida a dedo.”
O problema não é defender político
O problema não é defender Lula, Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro político. O problema começa quando a sociedade aceita que determinadas informações sejam liberadas ou escondidas conforme a conveniência do momento.
Sigilo deve existir quando a lei determinar. Transparência deve existir quando a lei exigir. E investigação deve seguir as provas, não as pesquisas eleitorais.
A pergunta que incomoda
No fim das contas, a pergunta é simples e incômoda: se queremos combater vazamentos seletivos, por que não exigir o mesmo tratamento para todos, Sr. André Mendonça?
A Justiça não pode ter dois pesos, duas medidas e um calendário eleitoral no meio. Ou a lei vale para todos, ou ela deixa de ser lei e vira ferramenta de conveniência.
